Já se passaram 16 anos de governos tucanos no Estado de São Paulo, ou melhor, quase 30 se considerarmos a influência do PSDB nos governos que sucederam a gestão Franco Montoro (1983-87), e a situação das Escolas Técnicas (ETECs) e Faculdades de Tecnologia (FATECs) é alarmante. O diagnóstico não é apenas meu, ou sequer dos alunos e profissionais dessas instituições, mas da própria Secretaria de Educação do Estado. O órgão reconheceu a grave rotatividade dos professores e funcionários do setor por conta dos baixos salários pagos pelo governo Geraldo Alckmin.
Foi nesse contexto que o governador de São Paulo finalmente anunciou o reajuste salarial de 11% para os professores e servidores administrativos do Centro Paula Souza, entidade que administra as ETECs e FATECs em São Paulo, chegando a 24% nos cargos iniciais. Encaminhado na última terça-feira pelo governador à Assembléia Legislativa, o Projeto de Lei Complementar reconhece, por exemplo, a disparidade salarial entre as instituições educacionais sob responsabilidade do Estado e as administradas pelo governo federal.
Afirma que diante da "expansão da rede de escolas pertencentes aos Institutos Federais de Educação, do Sistema S (que inclui SESC, SENAI e afins), das Universidades públicas" e "considerando a fase de aquecimento por que passa o setor produtivo", o governo tem "perdido colaboradores de uma forma que chega a ser alarmante em algumas regiões do Estado".
Salário é a metade de pago por outras instituições
O texto ainda justifica o reajuste em São Paulo como uma forma de "diminuir a rotatividade hoje existente nos quadros dessas instituições pela falta de competitividade dos salários". E complementa: "às vezes [o salário é] a metade do que pagam as demais Instituições" (leia a íntegra do projeto).
Somadas, as escolas e faculdades técnicas atendem cerca de 264 mil alunos. Com o reajuste, no caso do salário do professor iniciante de escola técnica, haverá um aumento de R$ 500,00 - para R$ 2.500, pagos para um total de 200 horas/mês. Este é mais um atestado de que educação e tecnologia não é e nunca foi prioridade para o tucanato em São Paulo.
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