sábado, 16 de abril de 2011

FHC E O TRÓ-LÓ-LÓ DE SEMPRE

“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos." (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC)

O desprezo de FHC pelo "povão" finalmente foi revelado, sem o menor cuidado, sem o menor respeito, sem qualquer sofisticação retórica. Foi na lata: o povão é isso e isso e aquilo e pronto. Não interessa ao PSDB.

Para quem já taxou aposentado de vagabundo, não é de causar estranheza essa sua apatia e náusea pelo “povão”. Cúmplice desses sentimentos, diria Justo Veríssimo, personagem de Chico Anísio: o povo (ou povão?) que se exploda. Ou a economista Zélia Cardoso de Mello: o povo (ou povão?) é apenas um detalhe.

A preferência de FHC pela elite aristocrática não nos surpreende, claro; afinal, 2002, 2006 e 2010 foram e são mais eloquentes para atestar a desaprovação do "povão" a ele e aos seus rascunhos. Serra, por exemplo.

Seu trauma resulta de sua incapacidade de dialogar com o “povão”, para o qual pouco fez e muito deixou de fazer. Passou seus 8 anos se vangloriando de um Plano Real resultante do governo de Itamar Franco. Fez do plano uma apropriação inapropriada, permitam-me o trocadilho. De sua gestão, legou ao País o famigerado apagão elétrico, ausência de projetos em infraestrutura, demissões no setor público e as famosas privatizações, que o jornalista Amaury Ribeiro Jr discorre em seu livro, Os Porões da Privataria, cujo prefácio, divulgado em 2010, recebeu o selo de Dossiê do PT pelo staf de campanha tucano. Mais ou menos ao estilo do irreverente Lobão: alguém peidei. Sabe o que fizeram, mas procuram ocultar, tanto que o tema “privatizações” sempre atormenta as campanhas tucanas. Seu modelo neoliberal ruiu e mergulhou o Brasil e seu “povão” em sérios apuros, enquanto a “massa cheirosa” (expressão cunhada pela jornalista da Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde, no convescote que impos o nome de José Serra como candidato à presidente em 2010) se divertia em salões requintados. Como já escreveu e cantou o genial Chico Buarque:

“Dormia, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações.”

Coube ao ex-presidente Lula (Doutor Honoris Causa) ensinar ao sociólogo FHC, que não existe democracia sem povo e que o Brasil deixou de ser um arquipélago de vários brasis, ou uma capitania hereditária demo-tucana:

“Não sei como alguém que estudou tanto, depois diz que quer esquecer do povão. O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros".

Dizer mais o quê? De tudo, duas sentenças: esse "povão", já não é mais escravo do preconceito de FHC e não tem a mínima ilusão sobre afagos e afetos extemporâneos vindos da Casa Grande. Carentes e desinformados são aqueles que insistem em renegar o povo, em menosprezá-lo e atraiçoá-lo no curso da história. O “povão” sabe disso, senhor sociólogo, FHC.

Quanto a querer uma disputa com o presidente do povo, Lula, é um claro sinal de declínio mental. Não merece ser levado a sério.

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